• Sexta, 25 de Setembro de 2026

MISSA EM AÇÃO DE GRAÇA VAI HOMENAGEAR DOADORES DE ÓRGÃOS DE DOURADOS

Celebração será neste domingo (27), às 8h, na Catedral Imaculada Conceição, no Dia Nacional da Doação de Órgãos; famílias que autorizaram doações também serão homenageadas por iniciativa da Fundação de Serviços de Saúde (Funsaud), que administra o Hospital da Vida

FONTE: PREFEITURA DE DOURADOS POR: ASSESSORIA CREDITO: ASSECOM


Equipe de profissionais que fez a última captação de órgãos, em Dourados, na última quinta-feira

Para uma pessoa que aguarda um transplante, a doação pode significar a chance de continuar vivendo. Para que isso aconteça, uma família precisa tomar uma decisão em um dos momentos mais difíceis de sua vida. Os doadores e as famílias que autorizaram esse gesto serão homenageados em uma missa em ação de graças neste domingo (27), às 8h, na Catedral Imaculada Conceição, em Dourados. A iniciativa é da Fundação de Serviços de Saúde (Funsaud), órgão da Prefeitura de Dourados que administra o Hospital da Vida, em parceria com a Organização de Procura de Órgãos e Tecidos para Transplantes (OPO).

 

A celebração ocorre no Dia Nacional da Doação de Órgãos e integra o Setembro Verde, campanha dedicada a ampliar as conversas sobre o tema. Em Dourados, foram registradas 13 doações de órgãos e tecidos em 2025. Neste ano, já são 15. As doações mais recentes ocorreram na quinta-feira (24), após a morte encefálica de um adolescente de 14 anos e um adulto.

 

Esse processo segue etapas médicas rigorosas. No caso da doação de órgãos após a morte, a captação só ocorre depois da confirmação da morte encefálica, feita por meio de um protocolo que inclui exames específicos e avaliações de médicos diferentes. A morte encefálica é irreversível. Após o diagnóstico, a família recebe explicações sobre a possibilidade de doação e tem a decisão respeitada. Nenhum órgão é retirado sem sua autorização.

 

Em Dourados, a Organização de Procura de Órgãos e Tecidos para Transplantes (OPO) ajuda a conduzir esse caminho em parceria com a Fundação de Serviços de Saúde. A equipe acompanha os protocolos, orienta os profissionais envolvidos, acolhe os familiares, esclarece dúvidas e conversa com eles sobre a possibilidade da doação. Quando a família autoriza, a OPO atua em conjunto com a Central Estadual de Transplantes para viabilizar as etapas seguintes. A retirada dos órgãos é realizada por equipes cirúrgicas habilitadas.

 

Mais de 800 pessoas aguardam um transplante em Mato Grosso do Sul, sendo que 326 procedimentos já foram realizados em 2026, mas a recusa familiar ainda é um dos principais desafios: seis em cada dez famílias entrevistadas no Estado não autorizam a doação.

 

Por isso, a coordenadora da OPO de Dourados, a enfermeira Ludelça Dorneles, incentiva as pessoas a contar aos familiares, em vida, se desejam ser doadoras. Saber dessa vontade pode ajudar a família quando ela for chamada a decidir. “A doação de órgãos é um gesto de solidariedade e amor ao próximo, que permite que muitas pessoas possam ter uma nova chance de vida”, explica Ludelça.

 

A OPO de Dourados é vinculada à Central Estadual de Transplantes e ao Sistema Nacional de Transplantes e conta com o apoio da Fundação de Serviços de Saúde (Funsaud), através da Secretaria Municipal de Saúde e da Prefeitura de Dourados.

 

DIA NACIONAL

O Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebrado em 27 de setembro, foi instituído pela Lei nº 11.584/2007 com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância da doação de órgãos e tecidos. A data busca incentivar o diálogo sobre o tema e destacar o impacto que uma decisão tão simples pode ter na vida de milhares de pessoas que esperam por um transplante.

 

O Brasil possui o maior sistema público de transplantes do mundo, sendo referência mundial em procedimentos como transplantes de coração, fígado, rim, pâncreas, pulmão e córneas. Porém, apesar dos avanços, o número de doações ainda é insuficiente para atender à demanda. Segundo o Ministério da Saúde, mais de 60 mil brasileiros aguardam por um órgão ou tecido para transplante. O tempo de espera pode variar de meses a anos, dependendo do tipo de órgão, e a demora é muitas vezes fatal.

 

A doação de órgãos pode ser feita por doadores vivos ou falecidos. No caso de doadores vivos, é possível doar órgãos como um rim, parte do fígado ou medula óssea, desde que o procedimento não prejudique a saúde do doador. Já os doadores falecidos, vítimas de morte encefálica, podem doar múltiplos órgãos, como coração, pulmões, fígado, pâncreas e rins, além de tecidos como córneas, ossos e pele.

 

CONSCIENTIZAÇÃO

Apesar dos avanços nas técnicas de transplante e na organização dos sistemas de doação, a principal barreira para o aumento de doações no Brasil é a falta de conhecimento e diálogo sobre o tema. Muitos mitos ainda cercam o processo de doação, como a ideia de que a equipe médica não se esforçaria o suficiente para salvar a vida de um paciente caso ele seja doador, ou a crença de que pessoas mais velhas não podem doar. Esses mitos podem ser desfeitos com campanhas de conscientização e com o diálogo aberto entre os familiares sobre a vontade de ser doador.

 

Outro ponto importante é que a autorização da família é imprescindível. No Brasil, não basta a pessoa manifestar em vida o desejo de ser doador. No momento da morte, a decisão final cabe à família, o que reforça a importância de discutir o assunto e deixar claro o desejo de doar órgãos. Cada doador pode salvar ou melhorar a vida de até oito pessoas, dependendo dos órgãos e tecidos doados.

 

COMO SER UM DOADOR

O primeiro passo para ser um doador é comunicar sua decisão à família. Diferentemente de outros países, no Brasil não existe um cadastro oficial de doadores de órgãos, e é a família quem dá a palavra final. Por isso, é essencial que o desejo de ser doador seja discutido e compreendido por todos os membros da família. Além disso, quem deseja doar medula óssea pode se cadastrar nos hemocentros de todo o país, onde será feito um exame simples de sangue para determinar a compatibilidade genética. A medula é regenerável, e o procedimento de doação é seguro e indolor.

 

O Dia Nacional da Doação de Órgãos é uma data para reforçar a importância de um gesto simples que salva vidas. A doação de órgãos não só transforma a vida de quem recebe, mas também representa um legado de solidariedade e amor ao próximo. Com mais informação e conscientização, é possível aumentar o número de doações e reduzir o tempo de espera para os pacientes que aguardam por um transplante.

 



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