Infância Roubada
CRIANÇAS DE 4 ANOS ACORDAM ÀS 4H DA MANHÃ POR OMISSÃO DA PREFEITURA DE NIOAQUE
POR: REDAçãO PRONTO FALEI, COM INFORMAçõES DO SITE, A PRINCESINHA NEWS CREDITO: REPRODUçãO
Enquanto uma escola vazia esbanja estrutura no Assentamento Padroeira do Brasil, a incompetência da gestão municipal condena os menores a uma rotina de exaustão, choro e adoecimento no escuro da madrugada
O relógio marca quatro horas da manhã. O termômetro e a escuridão ainda ditam o ritmo do sono para a maioria das pessoas, mas no Assentamento Padroeira do Brasil, em Nioaque, esse é o horário em que a infância é interrompida pelo barulho do motor de um ônibus escolar.
Com apenas quatro anos de idade, crianças que mal aprenderam a amarrar os sapatos são arrancadas da cama para enfrentar uma rotina desumana e degradante. O motivo? O completo descaso da Prefeitura Municipal e a falta de compromisso com o direito básico à educação digna.
A denúncia, que ecoa como um grito de socorro de pais e mães exaustos de testemunhar o sofrimento de seus filhos, revela o tamanho do abandono imposto pela atual gestão. Para frequentar a rede municipal de ensino, esses pequenos são obrigados a encarar estradas esburacadas e horas de deslocamento até outro assentamento vizinho.
UMA ESCOLA SEM ALUNOS E ALUNOS SEM ESCOLA
O que torna a situação ainda mais revoltante e evidencia a falta de planejamento do poder público é a existência de uma estrutura escolar dentro do próprio Assentamento Padroeira do Brasil. Uma unidade de ensino estadual está de portas abertas na comunidade, mas atende exclusivamente o Ensino Médio.
Os moradores relatam que, em anos anteriores, as salas de aula locais acolhiam as crianças menores, poupando-as do desgaste físico e emocional da estrada. Hoje, a burocracia e a falta de diálogo entre o município e o Estado mantêm o prédio ocioso para os pequenos, enquanto as linhas de ônibus queimam combustível e a saúde das crianças.
“Quem sofre são as crianças. É de cortar o coração ver um filho de quatro anos chorando de sono, passando mal no ônibus, sendo tratado dessa forma. Cadê a prefeitura?”, desabafa, sob lágrimas, uma das mães da comunidade.
A viagem diária transformou o que deveria ser o lúdico ato de aprender em um verdadeiro calvário. Relatos desesperados apontam que os estudantes chegam às salas de aula completamente esgotados, sem energia para absorver o conteúdo. Pior: há registros frequentes de crianças que passam mal durante o trajeto devido ao balanço do veículo e ao cansaço extremo.
Diante do silêncio ensurdecedor das autoridades, a comunidade se organizou. Munidos de celulares, os pais registraram em vídeo a dura realidade: pequenos caminhando no breu da madrugada, com mochilas pesadas nas costas, sob o frio e a poeira. Os vídeos são um soco no estômago e servem como prova incontestável de uma gestão que virou as costas para o campo.
Os moradores afirmam já terem esgotado todas as vias administrativas de reclamação. Secretarias e gabinetes foram procurados, mas a resposta da Prefeitura de Nioaque tem sido o desprezo. Nenhuma solução concreta foi apresentada até o momento.
A pergunta que fica no ar, e que exige resposta urgente do prefeito e de seus secretários, é uma só: Até quando a dignidade de crianças de quatro anos será sacrificada pela falta de vontade política e de gestão?
O Portal e Páginas do Pronto Falei, deixa o espaço aberto para as manifestações oficiais da Prefeitura de Nioaque, da Secretaria Municipal de Educação e da Secretaria de Estado de Educação (SED). A sociedade sul-mato-grossense aguarda não apenas uma nota oficial de esclarecimento, mas uma atitude imediata que devolva a essas crianças o direito de serem apenas crianças.
