• Quinta, 11 de Junho de 2026

A FARRA DAS DIÁRIAS: DOIS ASSESSORES DA CÂMARA DE BELA VISTA CUSTARAM MAIS DE R$ 100 MIL EM VIAGENS E CURSOS SOB SUSPEITA

Investigação do Ministério Público avança sobre rotina frenética de deslocamentos bancada pelo dinheiro do contribuinte; gastos de apenas um servidor chegaram a R$ 8,4 mil em um único mês

POR: REDAçãO PRONTO FALEI CREDITO: DIVULGAçãO


Enquanto a população de Bela Vista lida com as demandas diárias de um município que carece de investimentos básicos, os bastidores da Câmara Municipal revelam uma realidade paralela de privilégios e cifras astronômicas. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) converteu uma denúncia inicial em inquérito civil para investigar o que desenha-se como uma verdadeira "indústria de diárias" dentro do Legislativo municipal.


No centro do escândalo estão dois assessores da Casa de Leis. Sob o pretexto de capacitação profissional e agendas institucionais, a dupla conseguiu acumular, somada, mais de R$ 100 mil em diárias ao longo de 2025. Os recursos, que saem diretamente dos cofres públicos, agora estão sob a lupa do promotor de Justiça Gabriel Machado de Paula Lima.


Os levantamentos iniciais apontam uma disparidade gritante nos valores recebidos pelos servidores para cruzar o estado em direção à capital, Campo Grande.


ASSESSOR A: Acumulou cerca de R$ 40 mil em diárias.

ASSESSOR B: Lidera o ranking do desperdício, faturando aproximadamente R$ 60 mil no mesmo período.


O volume de documentos enviados pela própria Câmara para tentar justificar a gastança já soma quase 200 páginas. São relatórios de viagem, certificados de participação e notas fiscais que, em vez de sanar as dúvidas, acenderam o alerta vermelho dos investigadores.


O apetite por viagens na Câmara de Bela Vista atingiu seu ápice em agosto do ano passado. Em um recorte temporal de apenas 30 dias, um único assessor embolsou R$ 8,4 mil em diárias. O roteiro? Duas viagens para Campo Grande: uma para um seminário de três dias e outra para um curso de quatro dias.


No mês anterior, em julho, o mesmo servidor já havia garantido outros R$ 6 mil em três deslocamentos diferentes para a capital.


A Linha de Investigação: O MPMS agora foca na legalidade, moralidade e, acima de tudo, na real necessidade dessa rotina frenética de viagens.


Um dos pontos mais críticos da investigação aponta para uma possível triangulação suspeita: a repetição exaustiva de pagamentos para cursos organizados pela mesmíssima empresa. Os dados extraídos do Portal da Transparência da Câmara mostram que o dinheiro público fluiu de forma carimbada e frequente para essa instituição de ensino.


Os valores cobrados por esses eventos também assustam pela falta de moderação: Curso de Gestão/Atividade Legislativa (4 dias) R$ 4.800,00.


O que a promotoria tenta responder agora é o que qualquer cidadão bela-vistense se pergunta: esses cursos e agendas trouxeram algum retorno prático para o município, ou serviram apenas como um complemento salarial indireto e imoral?


A frequência com que os assessores abandonavam seus postos em Bela Vista para "se capacitar" ou cumprir agendas em gabinetes e na Governadoria levanta dúvidas severas sobre a eficiência administrativa da Câmara. O inquérito vai analisar se houve o cumprimento dos princípios constitucionais da administração pública — entre eles, a eficiência e a moralidade.


Caso fiquem comprovados o desvio de finalidade ou o enriquecimento ilícito, os envolvidos poderão responder por improbidade administrativa, sendo obrigados a ressarcir cada centavo aos cofres públicos. A sociedade aguarda as respostas que o calhamaço de 200 páginas de investigação ainda esconde.

 



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